| Ativistas usam mídias sociais e arte pop para chamar atenção para defesa dos tubarões no Japão |
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TÓQUIO - A caça às baleias, a pesca descontrolada do atum e a matança de golfinhos já são temas suficientes para fazer do Japão um vilão internacional na área da preservação das espécies marinhas. Mas ativistas em Tóquio têm feito barulho - usando arte pop e mídias sociais como contra-ataque - na defesa de um outro peixe que até recentemente vinha sendo massacrado sem que o mundo prestasse atenção: os tubarões. Eles formam o maior grupo de animais marinhos da lista de espécies ameaçadas da União Internacional para Conservação da Natureza. O Japão, embora não seja o único bandido dessa história, porque o abate acontece em vários países, é um grande fornecedor da China, que consome a sopa de barbatana de tubarão como se fosse ouro em pó. O prato é um símbolo de status para os chineses e considerado afrodisíaco. O aumento da demanda pela barbatana, que coincide com a expansão do poder de compra dos chineses, fez ambientalistas dispararem o alerta. Campanhas pela defesa do animal que aterroriza o homem - porém essencial para o ecossistema dos oceanos - vêm ganhando força. A pesca descontrolada não acontece só na Ásia, mas em pontos espalhados pelo mundo, da Espanha ao Brasil. Hong Kong é o destino principal das barbatanas. Entre 70 milhões e 100 milhões de tubarões são abatidos anualmente, um número que leva a ONG PangeaSeed, primeiro grupo japonês dedicado à proteção dos tubarões, a calcular que a maior parte das espécies pode estar extinta em 20 anos. Trata-se de um negócio milionário que produz, além da famosa sopa chinesa, sushi, cosméticos e produtos de couro. Apesar dos esforços para acelerar o ritmo industrial da pesca, a captura já sofreu redução drástica devido às práticas não sustentáveis. Em 1956, quando começaram os registros, eram pescadas anualmente 76 mil toneladas. Em 2008, o número já tinha caído para 36 mil. No Japão, uma lei proíbe o método sangrento conhecido como finning: apenas a barbatana é arrancada e o tubarão é jogado de volta ao mar, morrendo lentamente. O PangeaSeed, no entanto, tem documentado o desrespeito à legislação ao longo da costa japonesa. Tentar protestar contra a matança de tubarões num país que não respeita a moratória internacional contra a caça de baleias não é tarefa das mais fáceis. - Há dois anos, era impossível encontrar alguém no Japão consciente da importância dessa preservação. Mas os tempos estão mudando - disse o americano Tree Packard, que fundou o PangeaSeed com a japonesa Mayumi Takeda. A luta pela proteção dos tubarões conquistou vitórias recentes, como a criação de santuários em Honduras e Palau, uma ilha da Micronésia. O Chile e estados americanos também debatem legislações. No Japão, Packard e Mayumi optaram por usar arte, design e fotografia para inspirar uma população não muito acostumada a protestar contra ameaças ambientais.
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| Última Atualização ( 27 de abril de 2012 ) |
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