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WWF - WWF-Brasil
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WWF News
  • Engajamento pela biodiversidade
    Esta semana representantes de diversos setores da sociedade brasileira entregaram ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) sua posição sobre as metas que devem integrar a estratégia brasileira de conservação da biodiversidade até 2020.

    O documento, entregue em evento em Brasília, foi resultado de um longo processo de discussão entre movimentos sociais, setor privado, diferentes níveis de governo, sociedade civil organizada e academia que envolveu mais de 280 instituições por meio de reuniões e consulta pública.

    O processo de elaboração dessa proposta começou após a aprovação do Plano Estratégico sobre o tema da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), em conferência no Japão em 2010. 

    O Brasil, que participou da conferência e é membro dessa convenção da Organização das Nações Unidas, ao aprovar o plano estratégico se comprometeu a elaborar sua estratégia nacional e plano de ação de conservação da biodiversidade para 2020.

    Nesse sentido, durante todo o ano de 2011, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) ? em parceria com o WWF-Brasil, a União Internacional para Conservação da Natureza (UICN) e o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) ? realizou um série de encontros com diferentes setores da sociedade e colheu suas contribuições para iniciar a elaboração da estratégia.

    Durante a mesa de abertura do evento, a Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, reforçou a importância da diversidade de setores e organizações participantes desse processo, cujo resultado reflete as diferentes expectativas da sociedade brasileira. ?Vários setores que interagiam marginalmente, estão se engajando para um debate mais central?, afirmou. ?Estão buscando caminhos para o diálogo e isso é muito bom?, acrescentou Teixeira.

    Em diversos encontros, os representantes dos setores da sociedade brasileira debateram os cinco objetivos do Plano Estratégico da CDB e suas 20 metas para chegar a um acordo de como adaptar o plano à realidade do Brasil. Os diferentes setores alcançaram consenso sobre 17 metas, enquanto as demais incluíram duas ou três propostas que representam a diversidade de opiniões dos diferentes setores.

    Além do documento entregue, outros subsídios valiosos também foram passados ao MMA, tais como propostas de sub-metas e ações estratégicas que poderão contribuir para a elaboração de um plano de ação que irá garantir o alcance das metas.

    ?Esse processo participativo e democrático da elaboração da proposta de como devemos agir como sociedade para conservar a biodiversidade no Brasil é inédito e bastante animador. Somente com engajamento da sociedade e comprometimento do governo podemos proteger nosso patrimônio natural?, afirmou a secretária-geral do WWF-Brasil, Maria Cecília Wey de Brito, no evento.

    Para Maria Cecília, essa postura do Brasil é fundamental para que o país chegue à próxima Conferência da Convenção sobre Diversidade Biológica, que acontece este ano na Índia, com a mesma liderança exercida em 2010, e com um possa apresentar suas metas, estratégias e recursos necessários durante a negociação sobre mobilização de recursos financeiros que deverá ocorrer na Conferência.

    ?É ainda essencial que o Brasil, como próximo passo, transforme suas metas e a estratégia para a conservação da biodiversidade em um instrumento legalmente vinculante, ou seja, que tenha força de lei para de fato ser cumprida?, completou a secretária-geral.

    Já o secretário de Biodiversidade e Florestas (SBF) do Ministério do Meio Ambiente, Roberto Cavalcante afirmou que o governo irá considerar a proposta entregue na definição final das metas nacionais de biodiversidade para 2020 e na elaboração de um plano de ação para implementação da estratégia que será apresentada na próxima conferência. ?Acredito que esse esforço gerou um grande conjunto de consensos e bons cenários que simplificam e ajudam o trabalho da SBF nos próximos passos para definição das metas nacionais. A representatividade e qualidade da análise realizada é fundamental, indicando quais são os parceiros, grupos e organizações que validam esse resultado?, ressaltou Cavalcante.


    *O processo de elaboração da proposta de metas da estratégia brasileira contou com o apoio do Ministério do Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido (Defra) e do Projeto Nacional de Ações Integradas Público-Privadas para Biodiversidade (Probio II).



  • Código Florestal aprovado ameaça produção de açaí na Amazônia

    por Jorge Dantas de Oliveira

    O projeto de lei para reforma do Código Florestal aprovado pelo Congresso ameaça as áreas úmidas de todo o Brasil, como várzeas e manguezais, responsáveis por serviços e produtos ambientais amplamente consumidos e valorizados pela população brasileira, como o açaí.

    O pequeno fruto de cor púrpura, típico da floresta tropical e símbolo da cultura ribeirinha, é hoje o maior produto extrativista não-madeireiro do Brasil. Em 2009, foram 115 mil toneladas colhidas e R$ 160,5 milhões gerados. O Pará concentra 87,4% da produção nacional, seguido pelo Amapá, Amazonas e Maranhão.

    Dos frutos do açaizeiro, 90% vêm de áreas inundáveis às margens dos rios, manejadas ou não. Regiões como essas são conhecidas como Áreas de Preservação Permanente (APPs), e estão gravemente ameaçadas pelo projeto que se encontra sobre a mesa da presidente Dilma Rousseff. Ele ameaça a integridade ecológica, diminui os limites físicos e fragiliza essas áreas, abrindo brechas para "oficializar" um prejuízo ambiental sem precedentes na história do país. Por isso, a única alternativa viável para se evitar tal retrocesso é o veto total.

    Segundo especialistas, a extração do açaí ainda tem dados subdimensionados, principalmente por ser uma atividade desempenhada nos rincões da Amazônia, onde a coleta e o registro das informações são caros e difíceis.

    Combate aos radicais livres

    De acordo com o biólogo e geneticista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Charles Clement, o açaí é fonte de energia eficiente e natural. ?Seu óleo é pura energia. Nosso fígado degrada o óleo para criar o açúcar que é queimado no corpo quando realizamos atividades físicas?, afirmou. Por isso, declarou Charles, o açaí faz sucesso entre atletas e em academias de todo o país.

    Outros estudos dão conta de que o açaí é rico em flavonóides e antocianinas, substâncias úteis para o funcionamento do corpo humano. Entre outras coisas, o fruto ajuda no combate aos radicais livres, facilita o trânsito intestinal, favorece a circulação sanguínea e previne doenças cardíacas, além de retardar a degeneração natural das células. Ou seja, ele retarda o envelhecimento.

    Segundo um dos maiores estudiosos da agropecuária amazônica, o engenheiro agrônomo da Embrapa da Amazônia Oriental, Alfredo Homma, hoje existem cerca de 80 mil hectares de açaizeiros somente no Pará, onde trabalham 20 mil famílias. Agosto, setembro e outubro são os meses de colheita.

    O estudioso disse que, dos 20 municípios que mais produzem açaí no Brasil, 17 ficam no Pará, com destaque para Igarapé-Miri, a 200 quilômetros de Belém. A cidade de pouco mais de 58 mil habitantes é considerada o ?município-símbolo? das transformações econômicas e sociais que o açaí tem causado na porção paraense do Rio Amazonas, por conta da melhoria no padrão de vida de muitos produtores e extrativistas.

    Em potes de iogurte

    Homma, da Embrapa, explicou que o volume de açaí não é tão grande comparado a outros produtos que o Pará produz, mas sua rápida valorização econômica chama a atenção de qualquer um. Por volta de 1996, o litro de açaí grosso era vendido a R$ 1,50 nos arredores de Belém. Hoje, está em R$ 24. ?Foi um aumento de 1600% no preço, variação ocorrida em cerca de quinze anos. Nenhuma outra fruta agrícola cresceu tanto assim em valor no estado?, constatou.

    O açaí paraense é voltado, sobretudo, para o mercado interno. Cerca de sete em cada dez quilos da produção seguem para o Sudeste, em especial São Paulo e Belo Horizonte. O resto vai para o exterior, onde os maiores compradores são Estados Unidos, França e Japão. Na terra do sol nascente, o fruto é vendido em supermercados dentro de um pequeno recipiente, similar a um pote de iogurte. A Embrapa da Amazônia Oriental estima que, em 2009, as exportações de açaí tenham sido de U$ 26 milhões. Em 2002, quatro anos antes, eram de ?apenas? U$ 1 milhão.

    As áreas úmidas, como as várzeas amazônicas produtoras de açaí, são áreas de preservação permanente por serem mais sensíveis do ponto de vista ambiental e fundamentais para a conservação dos recursos hídricos, da biodiversidade e para o aumento dos índices de produtividade.

    Nesta categoria estão não só as matas ciliares nas margens de rios, várzeas, alagados e manguezais, mas também os topos de morros e montanhas, encostas, nascentes e declives. Esses locais são importantes para a manutenção de uma série de serviços ambientais, como a produção de água, a proteção do solo contra a erosão e a estabilidade ecológica.

    Integridade em risco

    Esse é mais um dos motivos para o projeto de reforma do Código Florestal aprovado no Congresso ser vetado integralmente, pois vetos parciais não conseguiriam reverter as ameaças a essas áreas. As APPs e o açaí da Amazônia estão sob forte ameaça, pois o projeto aprovado que está sobre a mesa da presidente Dilma Rousseff traz uma série de flexibilizações à proteção dessas regiões.

    O projeto aprovado concede ampla anistia para as ocupações irregulares das áreas de preservação permanente ocupadas até julho de 2008, e prevê anistia para as multas aplicadas aos desmatadores dessas áreas. Hoje, a maior parte das multas por crimes ambientais é aplicada na Amazônia, nos estados do Mato Grosso, Pará, Rondônia e Amazonas.

    Caso o projeto seja sancionado pela presidente Dilma Rousseff, mesmo que parcialmente (veto parcial), as faixas de proteção dos rios passam a ser medidas não pelo leitor maior durante as cheias, mais sim pelo leito regular do curso d?água. Outros dispositivos prevêem, sob certas condições, a ocupação de topo de morros, montes e serras, e o projeto também deixa de considerar várzeas, veredas e manguezais como APPs, fragilizando uma série de ecossistemas por todo o país.



  • Consumo cada vez maior e utilização de mais recursos por população crescente aumenta a pressão sobre o planeta
    A demanda cada vez maior por recursos por uma população crescente está causando uma enorme pressão sobre a biodiversidade do planeta e ameaça nosso futuro em termos de segurança, saúde e bem-estar. É o que revela a edição de 2012 do Relatório Planeta Vivo da Rede WWF, principal pesquisa bianual sobre a saúde do planeta, lançado hoje pelo WWF.

    Produzido em colaboração com a Sociedade Zoológica de Londres e a Global Footprint Network (Rede da Pegada Mundial), o relatório deste ano foi lançado nesta terça-feira (15 de maio) na Estação Espacial Internacional pelo astronauta holandês André Kuipers, que apresentou uma perspectiva única da situação do planeta em sua missão na Agência Espacial Europeia.

    ?Temos apenas um planeta. Daqui de cima, posso ver a pegada da humanidade, inclusive os incêndios florestais, a poluição do ar e a erosão ? são desafios que se refletem nesta edição do Relatório do Planeta Vivo?, afirmou Kuipers, ao apresentar o relatório durante sua segunda missão espacial. ?Embora o planeta sofra pressões insustentáveis, nós temos a capacidade de salvar o nosso lar, não apenas em nosso próprio benefício mas, sobretudo, para as próximas gerações?, completou Kuipers.

    A versão completa do relatório está disponível apenas em inglês, mas o WWF-Brasil lançou nesta terça-feira, em Brasília, a versão reduzida do estudo, o Sumário Relatório Planeta Vivo, a Caminho da Rio+20. A publicação traz os principais resultados do relatório e uma análise da situação ambiental do planeta nestes últimos 20 anos, desde a Rio 92 até a Rio+20.

    O Relatório do Planeta Vivo utiliza o Índice Planeta Vivo, mundial, para medir as mudanças na saúde dos ecossistemas do planeta, por meio do rastreamento de 9 mil populações de mais de 2.600 espécies. Esse índice global mostra uma diminuição de quase 30%, desde 1970, que é mais acentuada nos trópicos ? onde foi constatado um declínio de 60% em menos de 40 anos. Assim como a biodiversidade se encontra numa tendência descendente, a Pegada Ecológica do Planeta Terra ? que é outro indicador chave utilizado nesse relatório - ilustra como a nossa demanda por recursos naturais se tornou insustentável.

    ?Vivemos como se tivéssemos um planeta extra à nossa disposição. Utilizamos 50% mais recursos do que o planeta Terra pode produzir de forma sustentável. A menos que a gente altere esse rumo, esse número vai aumentar rapidamente - até 2030, até mesmo dois planetas não serão suficientes?, afirma Jim Leape, Diretor Geral da Rede WWF.

    O relatório destaca o impacto do crescimento da população humana e o consumo excessivo como sendo as forças que causam maior pressão sobre o meio ambiente. ?Esse relatório é como um check-up do planeta e os resultados indicam que ele está muito doente?, explicou Jonathan Baillie, Diretor do Programa de Conservação da Sociedade Zoológica de Londres. ?Se ignorarmos este diagnóstico, isso terá implicações importantes para a humanidade. Nós podemos restaurar a saúde do planeta, mas somente iremos conseguir isso se abordarmos as raízes das causas, que são o crescimento populacional e o consumo excessivo.?

    O relatório também destaca o impacto da urbanização como uma dinâmica crescente. Até 2050, duas em cada três pessoas viverão em uma cidade; e a humanidade precisará desenvolver formas novas e aperfeiçoadas de gestão e manejo dos recursos naturais.

    A diferença entre os países ricos e pobres também foi destacada neste relatório. Países com renda elevada têm uma Pegada Ecológica que é, em média, cinco vezes a dos países de baixa renda.

    Os 10 países com a maior Pegada Ecológica por pessoa são: Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Dinamarca, Estados Unidos da América, Bélgica, Austrália, Canadá, Holanda e Irlanda.

    No entanto, de acordo com o Índice Planeta Vivo, o declínio da biodiversidade desde 1970 tem sido mais rápido nos países de baixa renda ? o que demonstra como as nações mais pobres e mais vulneráveis subsidiam o estilo de vida dos países mais ricos. A decrescente capacidade biológica (que é a capacidade de uma região de regenerar recursos) exigirá que um país importe recursos essenciais de ecossistemas estrangeiros ? o que, potencialmente e em longo prazo, será em detrimento desses países.

    ?A dependência crescente de recursos externos coloca os países em significativo risco. A crise ecológica torna-se uma causa de nossas crescentes dores econômicas?, afirma Mathis Wackernagel, presidente da Global Footprint Network. ?Usar cada vez mais de uma natureza que é cada vez menor é uma estratégia perigosa. No entanto, a maior parte dos países continua nesse caminho. Com isso, eles colocam em risco não apenas o planeta mas - o que é ainda mais importante -, colocam a si próprios em risco.?

    O Relatório Planeta Vivo apresenta diversas soluções necessárias para reverter o declínio apresentado pelo Índice Planeta Vivo e para diminuir a Pegada Ecológica para um limite compatível com o planeta. Essas soluções são colocadas como 16 ações prioritárias e incluem uma melhoria nos padrões de consumo, com a atribuição de valor econômico ao capital natural, e a criação de marcos legais e políticos para uma gestão equitativa de alimentos, água e energia.

    O lançamento do relatório acontece cinco semanas antes que as nações, empresas e sociedade civil se reúnam no Rio de Janeiro para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável ? Rio+20. Passados 20 anos desde a última cúpula mundial sobre o planeta, essa reunião agora constitui uma oportunidade chave para que as lideranças mundiais reconfirmem seus compromissos com a criação de um futuro sustentável.

    ?O Brasil, que abriga uma de uma das maiores biodiversidades do mundo, tem um papel fundamental nesse processo de mudança, que deve ocorrer não apenas no discurso mas, principalmente, com ações práticas?, afirma Maria Cecília Wey de Brito, Secretária-Geral do WWF-Brasil. E para ela, esse compromisso deve ser de todos: dos governos, dos cidadãos e das organizações da sociedade.

    ?Os governos devem assumir o compromisso com a conservação ambiental e adotar ações que garantam a proteção dos ecossistemas, como, por exemplo, o incentivo à criação e à implementação de áreas protegidas, o combate ao desmatamento, o incentivo ao consumo responsável e o estímulo a boas práticas produtivas?, ressalta.

    De acordo com Maria Cecília, no que se refere às cidades, é fundamental que elas usem mecanismos de avaliação de impactos, como a Pegada Ecológica e adotem políticas públicas de mitigação que ajudem a reduzir os impactos. Ela também destaca o papel do cidadão nesse processo. ?Os cidadãos precisam repensar o seu consumo, avaliar até que ponto seus hábitos cotidianos estão impactando o meio ambiente e fazer escolhas mais sustentáveis?.

    O lançamento do relatório pelo WWF-Brasil,  em Brasília, contou com a presença de Marcos Pontes, primeiro astronauta brasileiro a ver o planeta do espaço. Ele falou sobre a experiência de ver a terra de longe. "Eu gostaria que todas as pessoas tivessem a oportunidade de ver o planeta do alto. A essa distância, é possível ver o quanto ele está sendo degradado". De acordo com Pontes, é muito bom ter o conforto que a cidade oferece mas  isso não pode ser  feito a custa de destruir nossos recursos naturais, o que vem acontecendo em um ritmo acelerado. "As cidades, vistas do espaço, são como cicatrizes no planeta. O ideal é que elas fossem tatuagens e não cicatrizes", comparou.



  • Conselheiros do Alto e Médio Solimões (AM) discutiram participação social e manejo de recursos naturais
    Por Jorge Eduardo Dantas

    Cerca de 60 conselheiros comunitários, representantes de nove áreas protegidas diferentes, participaram do I Encontro de Conselhos Gestores de Unidades de Conservação do Alto e Médio Solimões, evento promovido pelo WWF-Brasil e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) no fim do mês de abril.
     
    O encontro, ocorrido no município amazonense de Tefé, a 575 quilômetros de Manaus, teve como objetivo discutir a gestão participativa por meio dos conselhos gestores das Unidades de Conservação. A programação foi dividida em palestras, debates e grupos de trabalho que trataram também sobre manejo de recursos naturais e promoção da Educação Ambiental.
     
    Um dos produtos do evento foi a ?Carta de Tefé?, documento colaborativo cuja redação está sendo finalizada. A Carta traz uma reflexão sobre temas importantes como regularização fundiária, manejo de recursos naturais, gestão de Unidades de Conservação, Educação Ambiental, e promoção e valorização do conhecimento tradicional. 
     
    Por meio do documento, os comunitários cobram do poder público agilidade nos processos de regularização fundiária; o fortalecimento das estruturas locais e das equipes do ICMBio; acesso à Educação de qualidade; maior sinergia entre as três esferas de governo na implementação de políticas públicas na região; apoio ao manejo de recursos naturais e fortalecimento das associações comunitárias e dos conselhos gestores.
     
    Dúvidas no repasse de verbas
     
    Representante da Reserva Extrativista Auatí-Paraná, situada entre os municípios amazonenses de Fonte Boa, Japurá e Maraã, o agricultor Miguel Tavares Lira, 65, contou que o encontro foi ?nota dez?: ?Aprendemos muito, e a presença do presidente do ICMBio (Roberto Vizentin, que assumiu o cargo no início de abril) foi ótima. Ele acabou de chegar à instituição, mas já se prontificou a ajudar e isso foi muito positivo?, disse o agricultor.
     
    Miguel contou também que achou interessante saber como funciona o repasse de verbas para a gestão de áreas protegidas ? tema no qual ele possuía muitas dúvidas. ?Não sabia como funcionava isso (o repasse). Mas hoje já entendo melhor, sei que existe verba disponível, depende agora das nossas comunidades se organizarem, solicitarem e aproveitarem esse recurso?, contou. Miguel vive na comunidade de São José do Inhambé, em Fonte Boa, que sobrevive do manejo do pirarucu e recentemente iniciou trabalhos com marchetaria. A Resex Auatí-Paraná possui 17 comunidades e se fez representar no encontro por oito pessoas.

    O presidente do ICMBio, Roberto Vizentin, esteve no evento acompanhado do diretor de ações territoriais do Instituto, Daniel Penteado. Em sua fala durante o encontro, Vizentin afirmou que existe um ?novo cenário político? em que a prioridade é consolidar o que prevê o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), a lei que rege as áreas protegidas brasileiras ? e que, para isso, é preciso investir na participação social e no manejo dos recursos. 

    Conhecimento como ?munição? 

    Apesar de ter sido voltada para os habitantes da calha do Solimões, o encontro também trouxe alguns ribeirinhos do rio Negro ? como o agricultor Cezário Magalhães Alves, 42, representante da Reserva Extrativista (Resex) do rio Unini. ?O fato de levar as informações de uma Unidade de Conservação para outra é sempre bom. Sou do médio rio Negro, então tenho um ponto de vista e vivo uma realidade bem diferente daquela dos participantes do encontro. Mas a troca de experiências é sempre boa?, afirmou.

    Morador da comunidade de Vila Nunes, Cezário disse que ?não costuma recusar? convites como esse. ?Estamos sempre em busca de conhecimento. A partir do momento em que o conhecimento passa a ser a sua munição, você trabalha de forma mais efetiva no lugar onde você mora, na comunidade em que você está?, declarou.

    Durante o encontro, o agricultor explicou como funciona o conselho da Resex do rio Unini, sua forma de trabalho, como está estruturado seu planejamento, entre outros assuntos. ?Espero que esta proposta permaneça e o intercâmbio continue. É muito interessante conhecer pessoas de outras realidades e perceber que elas têm expectativas iguais às suas?, afirmou.

    Para o analista de conservação do WWF-Brasil, Marcelo Cortez, o encontro foi uma ?prova marcante? de que a organização social e o conhecimento tradicional são capazes de fortalecer a gestão participativa das Unidades de Conservação. ?O evento foi um importante termômetro das ações dos conselhos e da efetividade desses fóruns públicos na consolidação das áreas protegidas. Foi muito interessante ver o intercâmbio de experiências entre os conselheiros, que trocaram idéias sobre organização comunitária, experiências de manejo do pirarucu e de produtos florestais?, afirmou o especialista.

    As Unidades de Conservação que enviaram participantes ao encontro foram:

    ? Floresta Nacional de Tefé;
    ? Reserva Extrativista do Baixo Juruá;
    ? Reserva Extrativista Auati-Paraná; 
    ? Reserva Extrativista do rio Jutaí;
    ? Estação Ecológica Jutaí-Solimões;
    ? Reserva Extrativista do rio Unini;
    ? Reserva Extrativista do Médio Juruá;
    ? Reserva Extrativista do Médio Purus;
    ? e Reserva Extrativista do Ituxi.
     


  • Jovem ambientalista nepalês ganha prêmio internacional

    Roterdã (Holanda) -  Dawa Steven Sherpa, guia montanhês e um pioneiro da aventura, com 28 anos de idade, ganhou o primeiro Prêmio Internacional Presidente da Rede WWF, entregue durante cerimônia especial da Rede WWF realizada em Roterdã, na Holanda, por ocasião da conferência anual da organização ambientalista mundial, esta semana.

    Dawa Steven Sherpa trabalha como guia montanhista e é um ativista da conservação ambiental na região do Himalaia, onde ele cresceu.  Formado em administração de empresas, Dawa Steven Sherpa dirige uma empresa que organiza trilhas de aventura na natureza (trekking) e incentiva o respeito à natureza entre montanhistas e exploradores. Aos 24 anos de idade, ele já havia escalado picos de até 8 mil metros, inclusive o Monte Everest, por duas vezes.

    O novo Prêmio Internacional Presidente da Rede WWF foi criado para distinguir e incentivar a realização destacada de jovens com menos de 30 anos de idade, em todo o mundo, que tenham feito uma contribuição poderosa e inspiradora para a conservação da natureza.

    ?É com grande prazer que eu apresento esta primeira edição do Prêmio Internacional Presidente da Rede WWF para o jovem Dawa Steven Sherpa, que é tão motivador e prodigioso, e serve de inspiração para tantos outros jovens no planeta?, afirmou Yolanda Kakabadse, Presidente Internacional da Rede WWF.

    ?Esse novo prêmio permite à Rede WWF distinguir jovens brilhantes que atuam em campo para proteger o mundo natural. O meu maior desejo é que esse prêmio sirva para inspirar outros jovens com a mesma energia e ideal, para que eles também alcancem os níveis mais elevados. Precisamos urgentemente de lideranças jovens e pioneiras na conservação da natureza. Se existe alguém que pode servir de inspiração para que outros façam a sua parte para o planeta, essa pessoa é Dawa Steven Sherpa?, disse Kakabadse.

    Criado em Katmandu, no Nepal, desde 2008 Dawa Steven organiza exitosas Expedições Ecológicas ao Everest.  Ele atraiu a atenção internacional para o impacto das mudanças climáticas nos povos e no meio ambiente do Himalaia.  Suas expedições utilizam fogões solares e ele iniciou um sistema de ?dinheiro pelo lixo? por meio do qual os escaladores recebem pagamento para trazer o lixo de volta para a base, ao invés de deixá-lo na montanha.  Ele também trabalha com jovens locais para inspirá-los e empoderá-los para que atuem para proteger as montanhas.

    O Prêmio Internacional Presidente da Rede WWF será concedido anualmente e as indicações de nomes devem ser enviadas aos escritórios das organizações WWF no mundo todo.

    Outros prêmios entregues durante esta conferência anual da rede mundial WWF incluem o Prêmio WWF de Mérito de Conservação Ambiental, outorgado ao líder conservacionista búlgaro Toma Belev e a Wouter van Dieren, membro do Clube de Roma e diretor da IMSA Amsterdã (importante centro europeu para estudos sobre sustentabilidade e inovação). O prêmio Membro de Honra do WWF deste ano vai para Fulco Pratesi, da Itália, for sua destacada contribuição à Rede WWF durante um período de 45 dias, e a Frans Lanting, um dos maiores fotógrafos da atualidade, especializado em animais silvestres.

    A Lista de Honra Póstuma da Rede WWF deste ano honra a memória de Carl Mannerfelt, da Suécia, e da alemã-canadense Susan Mainka, pela notável dedicação de ambos à causa conservacionista.  O Panda de Ouro do WWF, que distingue a generosidade no apoio financeiro à Rede WWF, é concedido a Frank Leeman e Boudewijn Poelmann, da Fundação Novamídia Holandesa.



  • Aberta consulta pública sobre plantio florestal de pequena escala

    por Aldem Bourscheit*

    Até 16 de maio, está aberta a consulta pública online sobre os princípios, critérios e indicadores do Padrão FSC/Slimf para o cultivo de florestas plantadas em pequenas propriedades, em todo o país. O desenvolvimento do padrão e a consulta pública são apoiados pelo WWF-Brasil.

    As sugestões serão registradas e avaliadas por especialistas em manejo florestal e pelo FSC-Brasil, responsável pela versão final do padrão. Acesse a ferramenta no atalho ao lado, que leva à página Florestas Certificadas, criada também com apoio do WWF-Brasil para estimular uma reflexão sobre como o pequeno produtor pode contribuir para a manutenção das florestas brasileiras.

    A iniciativa pretende regular a produção de matéria-prima para papel, celulose e carvão como alternativa de renda em pequenas propriedades, o que pode reduzir a pressão para desmatamento de florestas nativas, especialmente na Mata Atlântica.

    Para o FSC, sigla em Inglês para Conselho de Manejo Florestal, operações florestais de pequena escala ocorrem em no máximo 480 hectares por produtor individual ou por membro de um grupo, e deve contemplar as áreas de produção, infraestrutura e de proteção ambiental, como reserva legal e áreas de proteção permanente.

    Os negócios individuais ou em grupo não precisam girar somente em torno da madeira certificada, que abastecerá as indústrias de papel, de móveis, fibras ou de energia. Também será possível obter lucro com produtos não-madeireiros e serviços ambientais.

    Além de madeira, florestas plantadas e nativas também oferecem plantas, frutos, sementes, fibras e raízes usadas na  produção de extratos, óleos e corantes, que podem ser destinados às indústrias de cosméticos, alimentos e farmacêutica. Florestas garantem ainda os chamados serviços ambientais, como estabilização do clima, produção de água e abrigo à biodiversidade, todos alvo de crescente interesse econômico.

    Certificação - A certificação florestal proporciona um novo olhar sobre as propriedades rurais, onde o produtor precisa conhecer e aplicar as leis ambientais e trabalhistas. Além disso, certificar a produção florestal valoriza produtos oriundos do manejo responsável dos cultivos.

    O FSC é um sistema de certificação internacionalmente reconhecido que identifica, com sua logomarca, produtos originados do bom manejo florestal. Logo, a certificação é uma ponte confiável entre a produção e o consumo de produtos florestais responsáveis, permitindo que consumidores e empresas tomem decisões que beneficiem as pessoas e o ambiente.

    * com informações de florestascertificadas.org.br



  • Menos lixo, mais vida
    por Aldem Bourscheit*

    Com apoio do WWF-Brasil e da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, o jornal O Globo lançou este mês uma campanha de educação pública atrelada à conservação da toninha (Pontoporia blainvillei). A ação, batizada de Mar sem lixo. Mar com Toninhas, pede aos cariocas que deixem de jogar lixo nas praias e, assim, ajudem a salvar da extinção o pequeno mamífero marinho, parente dos golfinhos e botos.

    Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, que criou um plano nacional para tentar salvar a espécie, a ?toninha é, provavelmente, o pequeno cetáceo mais ameaçado no Atlântico Sul ocidental, vive geralmente em grupos pequenos, de dois a cinco indivíduos, mas pode formar grupos de poucas dezenas?.

    As principais ameaças ao mamífero são o lixo, que pode ser confundido com alimento, e as redes de pesca, que os aprisionam e os impedem de subir à superfície para respirar. Todavia, a espécie também sofre com outros tipos de poluição, obras portuárias e tráfego de embarcações.

    Os cariocas passarão a conhecer mais a toninha com informações veiculadas no jornal impresso, na Internet e, em seguida, com atividades nas ruas e nas praias da capital. A Fiocruz criou um site, com dados técnicos e curiosidades sobre o cetáceo, também conhecido como boto-cachimbo ou golfinho-do-prata.

    Em reportagem veiculada nesse fim de semana, o coordenador do programa Educação para Sociedades Sustentáveis do WWF-Brasil, Fábio Cidrin, defendeu que a campanha promova o consumo responsável com base na menor geração de resídios e em reutilizar os materiais e reciclá-los.

    ?Campanhas públicas são importantes para sensibilizar e para mudar hábitos e atitudes das pessoas. Sabe-se do grande impacto causado por resíduos, especialmente plásticos, lançados no mar. Toninhas, tartarugas marinhas, peixes e aves confundem pedaços de plástico com alimentos e acabam morrendo. Aquela sacolinha que a gente deixou na praia pode acabar causando a morte de indivíduos dessas espécies?, disse Cidrin a O Globo.

    ?Até 2014, todas as embalagens terão que ser reutilizadas ou recicladas. A determinação é da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Por essa legislação, até agosto, todos os municípios terão que apresentar seus planos. Esse é um grande desafio principalmente para as pequenas prefeituras?, completou.

    * com informações de O Globo


  • Nota do Comitê Brasil pede veto total ao Código Florestal
    O Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável, que reúne mais de 200 instituições, divulgou nota nesta sexta-feira, manifestando sua ?profunda indignação? com a aprovação, na Câmara dos Deputados, das alterações no Código Florestal. ?A aprovação do relatório do deputado Paulo Piau representa o maior retrocesso na legislação ambiental na história do País?, diz a nota.

    Leia a íntegra do documento:

    O Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável manifesta sua profunda indignação com a aprovação do projeto de Código Florestal pela Câmara dos Deputados em 25 de abril. A aprovação do relatório do deputado Paulo Piau representa o maior retrocesso na legislação ambiental na história do País.

    Se o texto aprovado pelo Senado já significava anistia aos desmatamentos ilegais e incentivos a novos desmatamentos, os deputados conseguiram o que parecia impossível: torná-lo ainda pior. O texto revisado pela Câmara dos Deputados, além de ferir os princípios constitucionais da isonomia, da função social da propriedade e da proibição de retrocessos em matéria de direitos fundamentais, fere frontalmente o interesse nacional.

    Usando hipocritamente o discurso de defesa dos pequenos proprietários, os deputados derrubaram as poucas melhorias que o Senado efetuou e aprovaram um texto que apresenta incentivos reais a novos desmatamentos, inclusive em nascentes e outras áreas de produção de água, ocupações em manguezais (apicuns), e permite benefícios econômicos mesmo para quem continuar a desmatar ilegalmente.

    Considerando a inconstitucionalidade do projeto e a contrariedade ao interesse nacional, que trazem perversos impactos na vida de todos brasileiros, confiamos e apoiamos o compromisso da presidenta Dilma de não aceitar anistia a crimes ambientais, redução de área de preservação permanente e incentivos aos desmatamentos, o que só ocorrerá com o Veto Total ao projeto aprovado na Câmara.

    Brasília, 26 de abril de 2012
    Comitê Brasil em Defesa das Florestas
    e do Desenvolvimento Sustentável


  • Governo planeja construir sete hidrelétricas na bacia do rio Aripuanã
    O Governo Federal estuda, atualmente, a possibilidade de construir sete hidrelétricas na bacia do rio Aripuanã, na região situada entre os Estados do Amazonas, Mato Grosso e Rondônia. As sete hidrelétricas vão gerar 2.790,8 megawatts e trarão impactos para uma área de 146,3 mil metros quadrados, que se estende por 14 municípios dos Estados citados e abrange uma população de 112 mil habitantes. Além disso, vai atingir diretamente 11 áreas protegidas, entre Unidades de Conservação de Proteção Integral e Terras Indígenas. 
     
    A informação foi divulgada na metade do mês de abril, quando a Empresa de Pesquisa Energética do Ministério de Minas Energia (EPE/MME) realizou, em Manaus (AM) e Cuiabá (MT), audiências públicas para socializar os resultados da avaliação ambiental integrada da bacia do rio Aripuanã. O estudo teve como objetivo avaliar se o meio ambiente daquela região teria condições de ?suportar? os impactos trazidos pelos empreendimentos.
     
    O inventário teve início em 2006 e foi concluído em maio de 2011, mas somente há quinze dias foi apresentado à sociedade civil. Reportagem publicada no dia 16 de abril pelo jornal A Crítica, de Manaus, informa que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já aprovou o documento e trabalha numa próxima etapa do processo, que é o estudo de viabilidade econômica deste complexo de usinas hidrelétricas.
     
    18 impactos; apenas 2 positivos
     
    O inventário divulgado trouxe uma série de informações sobre a bacia do rio Aripuanã, que fica à margem direita do rio Madeira. Além de levantamentos técnicos referentes àquela região (abordando questões como geologia, hidrologia, relatórios de flora e fauna, dados socioeconômicos das populações locais) o documento traz também uma descrição dos 18 impactos que serão causados pelas hidrelétricas ? e apenas 2 deles são positivos. 
     
    Entre os aspectos positivos das hidrelétricas são citados o incremento da arrecadação municipal das cidades atingidas, pela compensação financeira que será trazida pelo setor elétrico às prefeituras; e a melhoria da estrutura viária da região, já que, para operar e receber insumos e equipamentos, as hidrelétricas precisam de vias e estradas trafegáveis durante todo o ano. 
     
    Dentre os impactos negativos previstos no inventário estão: interferência em ambientes ricos em biodiversidade, desaparecimento de espécies da fauna e flora, interrupção de rotas migratórias de peixes e supressão de vegetação marginal. Outras conseqüências das instalações das usinas são perda de recursos genéticos, alterações na dinâmica ecológica da área, além da interferência em políticas públicas de conservação e desenvolvimento sustentável.
     
    No âmbito social, as conseqüências previstas são o acirramento de conflitos, principalmente sobre populações indígenas ou tradicionais; interferência no modo de vida dessas populações, intensificação de invasões e apropriações indevidas de recursos de uso dos povos indígenas, além de interferência nas atividades econômicas rurais tradicionais. 
     
    Considerações
     
    Para o analista de conservação do WWF-Brasil Marcelo Cortez, os estudos apresentados pela Empresa de Pesquisa Energética estão subestimando os impactos sociais que as hidrelétricas trarão para aquele local. ?A Usina Hidrelétrica de Prainha, por exemplo, prevista para o município de Apuí, possivelmente atrairá 13 mil pessoas para o seu entorno. Este número é maior que a população do município que já existe naquela área. Então teremos um contingente muito grande de pessoas que, até agora, não saberemos se e como serão atendidas no que se refere à educação, moradia e saúde, por exemplo,?, explicou o especialista.
     
    Marcelo lembrou ainda que a região a ser atingida é conhecida pela alta biodiversidade e que as hidrelétricas vão impactar diretamente trechos do interior do Mosaico da Amazônia Meridional, criado ano passado e que abrange 40 Unidades de Conservação espalhadas em 7 milhões de hectares. ?É preciso tratar o assunto com muita cautela, uma vez que são grandes as recomendações de pesquisadores sobre as fragilidades dessas áreas quando se fala de intervenções que provoquem grandes alterações?, afirmou.
     
    O especialista considerou ainda que os estudos se basearam em muitos dados secundários e que vários índices apresentados no estudo já estão defasados. ?Há informações ali que são de 2006. Desde este período, muita coisa aconteceu naquele lugar?, disse. 
     
    O subcoordenador do Centro Estadual de Mudanças Climáticas da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Ceclima/SDS), Anderson Bittencourt, lamentou que, mais uma vez, grandes projetos estruturantes cheguem até a região amazônica sem contar com a participação de seus habitantes ou de quem conhece as áreas afetadas. ?Precisamos que a Empresa de Pesquisa Energética e seus engenheiros venham até o Norte e estejam aqui, para planejar essas coisas conosco?, afirmou.
     
    Anderson contou ainda que a bacia do rio Aripuanã tem suas demandas próprias de energia e que elas não foram contempladas na discussão apresentada. ?No quesito atendimento, o que vimos ali deixou a desejar. Para resolver o problema do abastecimento de energia naquela área a solução das hidrelétricas não é a mais adequada. Queremos evitar que a população fique, assim como aconteceu em outros lugares que receberam hidrelétricas, dependente de velas, pires e geradores de óleo diesel, mesmo ao lado de uma fonte geradora de energia?, explicou.
     
    Membro do programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam), o pesquisador Gabriel Carrero chamou atenção para o fato que os estudos apresentados não levaram em consideração a expertise das organizações da sociedade civil e das comunidades que moram na região.
     
    ?A análise é valida, mas deve ser feita em conjunto com os órgãos e conselhos que trabalham na bacia. Muitas pessoas que poderiam contribuir com esta discussão não estavam na apresentação dos resultados?, declarou. Gabriel afirmou, por exemplo, que é membro do conselho consultivo do Mosaico de Unidades de Conservação do Apuí, e nenhum dos membros do conselho foi convidado a colaborar nesta discussão.
     
    As hidrelétricas
     
    Segundo o inventário divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética, das sete hidrelétricas consideradas, três serão instalados no curso do rio Roosevelt - Cachoeira Galinha, Inferninho e Ilha São Pedro ? e as outras quatro serão instaladas no rio Aripuanã (Prainha, Ilha Três Quedas, Quebra Remo e Sumaúma). A elas, somam-se a Usina de Dardanelos e a Pequena Central Hidrelétrica (PCH) de Juína, que já se encontram em funcionamento na região.
     
    Os municípios impactados, direta ou indiretamente, serão Novo Aripuanã e Apuí, no Amazonas; Colniza, Aripuanã, Cotriguaçu, Juruena, Juína e Castanheira, no Mato Grosso; e Rondolândia, Espigão D´Oeste, Cacoal, Ministro Andreazza, Vilhena e Pimenta Bueno, em Rondônia.
     
    As áreas protegidas que serão atingidas serão o Parque Nacional dos Campos Amazônicos, o Parque Estadual do Sucunduri, o Parque Estadual do Guariba, o Parque Estadual Tucumã, a Estação Ecológica do rio Roosevelt e a Estação Ecológica do rio Madeirinha. 
     
    Entre as Terras Indígenas, serão impactadas a Terra Indígena Arara do rio Branco, Terra Indígena Serra Morena, Terra Indígena Aripuanã, Parque Indígena Aripuanã, Terra Indígena Tenharim do Igarapé Preto e Terra Indígena Zoró.
     
    Conhecendo a região
     
    A bacia do rio Aripuanã situa-se na região de transição entre os domínios biogeográficos da Amazônia e do Cerrado. Por estar localizada numa área de difícil acesso, é considerada uma das regiões mais bem preservadas da Amazônia, principalmente em território mato-grossense e rondoniense. No entanto, sofre forte pressão de atividades humanas e não por acaso situa-se dentro do ?Arco do Desmatamento? ? local famoso pelos altos índices de desmatamento, queimadas e conflitos fundiários.
     
    A bacia do rio Aripuanã está dentro da área do Mosaico da Amazônia Meridional e do Mosaico do Apuí, dois conjuntos de Unidades de Conservação cujo objetivo é combater a degradação da área. As atividades econômicas mais importantes da bacia são a extração de madeira, a agropecuária e serviços. Os conflitos entre grupos populacionais diferentes ? ribeirinhos, indígenas, grileiros, fazendeiros, pecuaristas, extrativistas, entre outros ? também são uma das características mais marcantes daquele local.  
     
    Esta região é também a mesma em que, numa expedição promovida pelo WWF-Brasil em 2010, foi encontrada uma nova espécie de macaco, nas proximidades do rio Roosevelt. Mais detalhes sobre esta viagem podem ser vistos aqui.


  • Mais de 30 entidades catarinenses pedem veto total ao novo Código Florestal

    Nessa segunda (23), entidades catarinenses entregaram moção contra as alterações do Código Florestal a representantes do Ibama, ICMBio e Ministério do Desenvolvimento Agrario (MDA). Trinta e três organizações pedem no documento que a presidente Dilma Rousseff cumpra o seu compromisso eleitoral de não permitir leis que aumentem o desmatamento e vete, na íntegra, o texto do Projeto de Lei 30/2011.

    O Superintendente do Ibama em Santa Catarina, Kléber Isaac Silva de Souza , assumiu o compromisso de enviar a moção ao Ministério do Meio Ambiente, à secretaria-geral da Presidencia, à secretaria de Relações Institucionais da Presidencia e ao gabinete da Presidente Dilma Roussef. Os representantes do MDA, Altair Antunes, e do ICMBio, Ângelo de Lima Francisco, também se comprometeram a remeter o texto a seus superiores na capital federal.

    O projeto de mudança do Código Florestal pode ir à votação no Plenário da Câmara dos Deputados nesta semana, e traz mudanças das mais polêmicas já propostas à legislação ambiental do país.

    A moção (confira abaixo) denuncia e analisa de forma contundente a frágil situação ambiental de Santa Catarina, e alerta para as enormes conseqüências negativas que a proposta de alteração do Código Florestal irá causar.

    As entidades presentes também entregaram às autoridades a Nota Pública da Comissão Guarani Nhemonguetá pela não aprovação da PEC 215. Essa proposta, se aprovada, alterará o Art. 231 da Constituição Federal, transferindo para o poder legislativo a decisão sobre demarcação de terra indígena, terras quilombolas, populações tradicionais e unidades de conservação.

    As informações são do Comitê Brasil SC em Defesa das Florestas e da Vida, que promove hoje às 16h, em Florianópolis, um Ato Público Contra a Motosserra (veja cartaz ao lado).

    MOÇÃO DE SANTA CATARINA PELA MANUTENÇÃO DO CÓDIGO FLORESTAL E VETO PRESIDENCIAL

    Aos governantes, partidos e políticos, ao judiciário e ao povo brasileiro,

    Mais uma vez denunciamos que setembro de 2011 ficará na história das famílias catarinenses como uma das piores tragédias ambientais das últimas três décadas, por omissão e responsabilidade das elites gestoras e governantes municipais, estaduais e federais. Cem municípios, o equivalente a um terço do nosso estado, foram tomados novamente pelas águas, após uma sequência de dias com chuvas torrenciais. Segundo dados da Defesa Civil, a inundação afetou quase um milhão de pessoas, sendo que 178 mil delas tiveram que deixar suas casas, e centenas de famílias perderam parentes e amigos. Os prejuízos materiais são estimados em R$ 453 milhões, porém as perdas, os traumas e as rupturas no processo histórico no tecido social, econômico, cultural e territorial são inestimáveis, irreparáveis e atravessarão gerações.

    Denunciamos que este processo está intimamente ligado ao modelo de uso e ocupação do solo rural e urbano, que ainda tem como base de seu desenvolvimento a derrubada das matas, florestas e ocupação das margens dos rios e encostas, áreas suscetíveis a chuvas intensas devido à fragilidade do solo e relevo acidentado. Esta é a situação dos vales e encostas ao longo do litoral brasileiro e catarinense e do Vale do Itajaí em particular, o que é de conhecimento do povo brasileiro através das imagens aterrorizantes que circulam nos telejornais e nas incansáveis campanhas de solidariedade. Esta situação não desaparecerá enquanto não houver respeito às condicionantes ambientais que hoje estão presentes no Código Florestal.

    Nossa Região Oeste e o Planalto Catarinense, por sua vez, têm sofrido situação inversa, por escassez de água, com secas cada vez mais frequentes no campo e nas cidades. Embora seja o local do estado em que mais chove, a precipitação se torna concentrada, evapora e escoa rápido porque o sistema natural e alterado retém pouco devido ao mesmo modelo de desenvolvimento, que derrubou a floresta e ocupou as margens dos rios e encostas. Entre os anos 2002 e 2006, todos os municípios do Oeste decretaram estado de calamidade pública por seca na região.

    Porém, ainda existem soluções; nossa história mostrou que nos últimos 20 anos a cobertura vegetal de Santa Catarina se recuperou muito devido ao Decreto n° 750/1993, que dispõe sobre o corte, exploração e supressão da Mata Atlântica, e posteriormente à Lei da Mata Atlântica (nº 11.428/2006), apesar de esta recuperação ser muito mal distribuída no estado.

    O Inventário Florístico Florestal Catarinense demonstrou que temos ainda importantes áreas de florestas, mas não tão rica, alta e espessa quanto deveria estar. Temos cerca de 32% do estado coberto pela Mata Atlântica, concentrado especialmente na faixa litorânea.

    Nossas Florestas estão com menos espécies, com estrutura mais baixa e árvores mais finas porque são jovens. Isso representa uma floresta em fase de recuperação. As amostras com boa floresta original são menos de 20 dos 540 pontos pesquisados no estado, e não por coincidência todas elas estão concentradas em unidades de conservação ou em locais de difícil acesso de extração. As 520 restantes estão em áreas perturbadas com a pressão de uso e ocupação do solo em um entorno muito grande.

    Diante deste quadro de possibilidades e de tamanha fragilidade e vulnerabilidade, não restam dúvidas de que, com a permissão para diminuir a faixa ao longo dos cursos d?água e a redução ou uso irrestrito da Reserva Legal, pretendidas pelo PL 30/2011, vamos ter um empobrecimento da estrutura da floresta, uma redução de florestas e uma fragilização ainda maior frente aos desastres.

    Se o Código for aprovado da forma como propõe o Projeto de Lei, nós teremos uma redução drástica da Mata Atlântica no estado de Santa Catarina. Nos períodos chuvosos, vamos estar mais vulneráveis às inundações, escorregamentos e enxurradas. Por outro lado, nos períodos de seca, não haverá suficiente oferta d?água para o consumo humano, animal, da lavoura e de preservação da natureza.

    Precisamos de políticas públicas de apoio ao proprietário de área de floresta e para aquele que produz de forma mais sustentável. Precisamos de diminuição de impostos na propriedade e produção, máquinas e insumos agrícolas, linhas de crédito direto para isso, e apoio na manutenção de estradas para escoamento e na comercialização de nossos produtos para que produtor e consumidor tenham condições justas e dignas de emprego e renda e de vida, no campo e na cidade, em equilíbrio com o meio ambiente e preservação para as nossas futuras gerações.

    É preciso facilitar o manejo de vegetação secundária e o estímulo à recuperação. Se não houver políticas de conservação e uso dos recursos florestais, a tendência é de supressão, legal ou ilegal. Todo avanço que tivemos nas décadas de 80 e 90 pode perder-se e podemos ter um retrocesso rápido. Com base em ações proativas já experimentadas nas diversas regiões do Brasil e seus biomas, apesar do caráter extrativista da economia capitalista concentradora de riquezas na mão de uma minoria, em detrimento da maioria, podemos, mesmo assim, afirmar: o homem do campo só faz desmatamento e ocupa encostas e margens de rios devido à falta de política agrícola e agrária mais justa.

    Essa é, em especial, a realidade dos pequenos e médios produtores rurais, que são empurrados pelo grande proprietário agrícola para as áreas de preservação. Sofrendo situação semelhante estão as populações de baixa renda, que se tornam sem teto nas cidades e são empurradas paras as áreas de preservação porque não têm acesso às melhores localizações, serviços e infraestrutura.

    Nas cidades o debate é muito mais complicado, pois o uso e ocupação do solo urbano estão ligados ao setor especulativo imobiliário, aliado das elites políticas, que negam a função social da propriedade do solo. Estes grupos não têm tido compromisso com o desenvolvimento sustentável, nem com a garantia de qualidade de vida de todos, com a geração de emprego e renda e com a distribuição de riqueza produzida.

    Sem aplicar os instrumentos legais do Código Florestal vigente e a legislação da Política Urbana, em especial o ESTATUTO DA CIDADE, não haverá solução, sendo que a nova proposta do PL 30/2011 só agravará e consolidará uma situação já insustentável na região urbana da maioria das cidades brasileiras.

    A Reserva Legal, as APPs e APLs não atrapalham as atividades econômicas das propriedades; pelo contrário, se bem utilizadas podem contribuir na geração de renda da família, que em contrapartida ainda terão os benefícios ambientais. Sabemos que além das políticas agrícolas e agrárias, deformações existem no Código Florestal vigente, e isso merece revisão. A própria Resolução do CONAMA nº 369, de 28 de março de 2006, ?dispõe sobre casos excepcionais, de utilidade pública, interesse social ou baixo impacto ambiental, que possibilitam a intervenção ou supressão de vegetação em área de preservação permanente?. No entanto, este processo deve envolver a sociedade por inteiro, deve ser amplo, democrático e transparente, e não deve atender a pressões de grupos econômicos e indivíduos do campo e da cidade que contrariem a atual legislação, réus de dividas ambientais que devem ser pagas à sociedade.

    Enquanto o Código Florestal não passar por este amplo e democrático debate, como pleiteiam organizações científicas e movimentos sociais, é preciso que ele seja aplicado na íntegra e de forma equitativa entre os proprietários de médias e grandes áreas, com tratamento diferenciado para os resistentes pequenos agricultores, caiçaras, indígenas, quilombolas e outros que, na maior parte das vezes, contribuem para a preservação da biodiversidade e exercem suas atividades tradicionais e para sua sobrevivência, e estão de acordo com princípios básicos da sustentabilidade.

    Finalmente, declaramos aos partidos políticos, ao governo e à sociedade que, na hipótese de aprovação do Projeto de Lei da Câmara ou do Senado, empunharemos a bandeira pelo veto total a ser dado pela presidente DILMA. Esta é a única atitude política que poderá sustentar o clamor da população, bem como a única que dará legitimidade às promessas feitas pela presidente ao povo catarinense e brasileiro na campanha de 2010, quando assumiu publicamente o compromisso de vetar qualquer projeto que promova anistias ou incentive mais desmatamentos.

    Florianópolis, 23 de abril de 2012.

    Assinam

    Aliança Nativa
    Associação Ecológica Força Verde (ES)
    Associação de Estudos Costeiros e Marinhos - ECOMAR
    APRENDER Entidade Ecológica
    Associação Montanha Viva
    Associação dos Ciclousuários da Grande Florianópolis- VIACICLO
    Associação de Preservação e Equilíbrio do Meio Ambiente (APREMA)
    Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida ? Apremavi
    Associação dos Condutores Ambientais e Culturais da Grande Florianópolis ? UATAPÍ
    Associação Movimento Ecológico Carijós - AMECA
    Câmara de Meio Ambiente e Saneamento do Fórum da Cidade ? CMAS-FC
    Coletivo Divulgar Antropologia de SC - Divu-ANT
    Coletivo UC da Ilha
    Comissão Pastoral da Terra de SC
    Comitê do Itajaí
    Comitê Santa Catarina em Defesa das Florestas e da Vida
    Conselho Indigenista Missionário ? Regional Sul ? CIMI Sul
    Coordenação do Curso de Biologia - Uniasselvi
    Coordenação do Curso de Gestão Ambiental - Uniasselvi
    Diretório Acadêmico Oito de Maio - DAOM - FAED/UDESC
    FEEC - Federação das Entidades Ecologistas Catarinenses
    Fórum da Cidade: Organização Social e Popular de Florianópolis
    Fundação Piava
    Grupo de Pesquisa Direito Ambiental na Sociedade de Risco ?GPDA-UFSC
    Instituto CarbonoBrasil de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
    Instituto de Desenvolvimento e Integração Ambiental - IDEIA
    Instituto Sea Shepherd Brasil (Instituto Guardiões do Mar)
    Instituto Sócio Ambiental Campeche ? ISA CAMPECHE
    Jurerê Jazz Festival
    Núcleo de Educação Ambiental do Centro Tecnológico - NEAmb-UFSC
    Rede de ONGs da Mata Atlântica - RMA
    Santa Catarina Birdwatching
    Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental -SPVS




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Pescarias